Conquistar amor-próprio nunca foi
fácil para mim. Tu não podes amar se não te amas a ti mesmo e durante algum
tempo eu não sabia amar pessoas. Quando te odeias, odeias inevitavelmente o
resto do mundo ainda que penses que morres de amor por alguém. Provavelmente,
sabia amar o meu cão. Pouco mais. O amor é algo que nasce connosco, mas amar
não nos é inato. Enquanto não soube de mim encontrava nas outras pessoas tudo
aquilo que eu queria ser e não era. Quando te odeias, julgas amar tudo; e não
amas nada. Hoje sei que amo e não me dói escrever um texto com a palavra amor
repetida mil e uma vezes, porque o amor nunca é demais. Hoje amo-me. Sou a
única que me conhece todos os defeitos. Reconhecê-los foi o passo certo para a
aceitação. Já disse muitas vezes que tive de me perder de mim mesma para me
encontrar e é verdade. Por muito assustador que isso tenha sido. Por muito que
tenham ficado fantasmas que eu não sei nem posso apagar. Sou feita de passado.
Sempre fui. O que mudou é que agora já não vivo nele. Sou moldada pelo passado,
mas não deixo que as mossas que ficaram me afetem constantemente. Nem sempre as
controlo. Por muito que sejamos donos de nós próprios há sempre partes que não
conseguimos controlar. Assumimos o controlo da nossa vida, no entanto há
alturas em que o modo piloto automático é inevitável e é aí que as dores voltam
e os medos se reinstalam. Mas acho que agora esses medos já não me assustam
(tanto). Acho que me muni de armas suficientes para combater qualquer
obstáculo. Tudo porque me aceitei. A mim. À minha maneira complicada de ser. À
minha vontade de simplificar tudo e de acabar por tornar tudo complicado. Ao
meu feitio melodramático. À minha necessidade de metáforas. Obrigada por me
teres feito olhar-te nos olhos enquanto te falava disto. Obrigada por me teres
feito escrever sem ser forçado. Acho que nem eu tenho noção do quão libertador
isto foi.
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