Chamo-me Íris. Este canto é o meu mundo. Que seja também o vosso.

8.1.16

Sei que estou a precisar de escrever e também sei que enquanto não o fizer não vou conseguir fazer mais nada, mas ao mesmo tempo o medo de escrever assume dimensões demasiado grandes. Dantes escrever era o meu dia-a-dia, mesmo que nem escrevesse. Agora escrever já não é rotina. Às vezes já nem é necessidade, mas é necessário. Necessário à alma, necessário ao corpo. Escrever-me. De mim para mim para um dia mais tarde recordar. Escrever, no fundo, sempre foi um lembrete ao meu cérebro daquilo que dói e daquilo que não dói. Escrever sempre foi a forma de me saber imortal. As palavras nunca morrem. Aquelas que assumem realmente vida. A minha mente sente-se sempre na necessidade de divagar nos momentos em que não o devia fazer. Há mágoas que se guardam que matam lentamente e guardá-las é um erro. Alimentá-las ainda pior. Somos seres estúpidos se achamos que guardar para nós aquilo que nos faz mal é o certo e que ignorar as mágoas é que nos vai ajudar a superar. Achamos, inocentemente, que conseguimos fugir de nós próprios. Pois bem, não conseguimos. Não durante muito tempo, pelo menos. Não de forma saudável. Fingir um sorriso não devia ser um hábito, achamos que somos demasiado bons a mascararmo-nos de felicidade que nos esquecemos que por detrás da máscara está um ser que se resignou à vida e se deixou abater. Escrever expulsa mágoas e por isso escrever tem de fazer parte. Nem que seja um ai. Nem que seja a maior merda de sempre e um atentado à literatura. Tudo o que vem de mágoas é a tua própria literatura. E escrever não as alimenta. Escrever expulsa-as.

1 comentário:

  1. Sabes Lúcia, perceber o que nos faz bem e o que nos faz mal é das questões mais complicadas da nossa vida. Olhar assim, à distância, pode toldar-nos a visão. Mas ainda assim arriscares, digo-te, é uma virtude!

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«Não ter opiniões é existir. Ter todas as opiniões é ser poeta.»