Chamo-me Íris. Este canto é o meu mundo. Que seja também o vosso.

20.2.16

Aos (deza)vinte

Adiar a escrita. Algo tão meu que dói. Os vinte anos chegaram e com eles veio tudo. Tudo de bom. Tudo de mau. Completar vinte anos não representa só duas décadas, porque são DUAS décadas. Cheias de vida. Fartas da morte. Não tão pacíficas como eu queria mas também, afinal, para que quero eu a pacificidade da vida? Se há algo que posso dizer é que nestes anos nunca encontrei paz dentro de mim. E adoro isso. Aprendi a adorar a turbulência dos meus pensamentos e a forma como dependo da escrita. Há coisas que não se explicam pura e simplesmente. Todos temos a nossa dose de loucura e a minha é esta. Se calhar é uma dose daquelas mesmo bem servidas, mas aqui também ninguém disse que eu estava a fazer uma dieta rigorosa. À meia noite acho que me foi oferecida uma das prendas mais especiais. Aliás, tenho a certeza. A presença de alguém que arrebatou por completo o meu mundo, a presença de esse alguém a ler-me – sabes bem o que significas e quebrar barreiras na minha mente complicada por ti, muitas vezes sem me aperceber, fazes de mim uma mulher realizada, amar-te e ver esse amor retribuído é a definição de felicidade -, ler-me como quem diz a ler-me a alma. Sempre que escrevo transmito um bocado de mim. Os vinte anos trouxeram dias de nervosismo, a presença do meu irmão, porque por muito que as despedidas custem fazem sempre as chegadas valerem a pena. Vou sempre ficar com o coração partido quando o vir a deixar o aeroporto. Não sou tou fria quanto deixo transparecer. Às vezes faço-me de forte perto dos que me são mais próximos porque sinto que tenho de aguentar o barco. Não sei chorar quando alguém que amo chora. O meu organismo impede-me de o fazer. E depois expludo. Passo dias a chorar. Como quanto tu partiste, avô. Foi o primeiro aniversário sem ti. Sem saber onde estavas, como estavas, porque fugiste. Sem saber que me ias dizer uma piada e que eu ia rir por pensar que apesar de tudo ainda mantinhas o teu espírito. A tua ausência dói-me. E tudo o que ela significa. Adormeci já com vinte anos a pensar que já não tinha mais avôs e avós neste mundo. Acordei com sol. Passados dias de chuva acordei com sol. Tenha sido apenas um fator meteorológico ou não, eu sei que foi um sinal. Ou eu procurei o sinal com tanta força que o encontrei naqueles raios de sol às oito da manhã. Mesmo que não exista nada depois da morte, existe dentro de mim. Dentro dos que os amam. O vosso melhor presente vai ser sempre um raio de sol. Amo a vida quando penso na família que tenho, no namorado que tenho e nos amigos que tenho. Não sou próxima de muita gente mas também nunca precisei disso. Não sou mais ou menos adulta por ter a idade que tenho. A mentalidade está no cérebro não nos anos que passam. Serei sempre criança. Com mais responsabilidades. Mas a criança dentro de mim não morre. E amo a vida. Os raios de sol lá fora dizem que ela me ama de volta.

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