Chamo-me Íris. Este canto é o meu mundo. Que seja também o vosso.

17.1.17

A cidade afinal não estava deserta

Somos o que somos porque queremos ser, ou porque nascemos assim? A questão que impera no meio de tudo isto é se nós chegamos a ter algum tipo de controlo sobre as nossas ações ou se no fundo somos apenas diamantes por lapidar e se quisermos ser carvão não podemos porque o arranjo das partículas não o permite. Eu nasci para escrever. Não só para escrever, mas só para escrever. Sei que nem faço sentido mas quando tenho as minhas mãos tocam um teclado no momento certo e eu não me deixo perder em demasiados pensamentos gramaticais nem sequer racionais sai algo que não sei explicar. Posso passar um ano sem escrever mas eu nasci para isso. Posso até fazer tudo e mais alguma coisa, mas a minha casa vai ter sempre um canto de mim que eu não sei explicar. Há uma parte que eu não consigo lapidar, nem moldar, nem o que quer que seja. Há uma parte de mim que não é um diamante em bruto, mas é algo bruto, abrupto e inconsciente. E adoro isso. Adoro-me quando escrevo e essa deve ser a única altura de mim que eu consigo ser narcisista. Quando escrevo vejo o meu reflexo até nas superfícies mais opacas. E mesmo que seja um reflexo negro e perturbado, eu gosto do que vejo. Acredito em não acreditar no destino. Mas acredito em coisas inexplicáveis. Acredito em músicas que me lançam neste mar de palavras sem nunca me deixar afogar. Acredito no (meu) amor. Acredito que até mesmo o texto mais desarrumado de sempre merece ter lugar em mim. No fundo a minha mente é isso. Desarrumada. E eu arrumo-a mas o nível de entropia é sempre o mesmo. E eu afasto-me de mim mas volto sempre. A escrita é como aquele amigo que não se vê há anos mas quando se dá o reencontro nada se perdeu. A Escrita agora merece letra maiúscula. Porque não é só um escape, é algo que me transcende. Não sei explicar isto. Não sei explicar tudo o que está para cima desta palavra. E é em não saber que reside a felicidade. É bom sentir-me leve. É bom ser eu nestes momentos. É bom. E enquanto os Ornatos me dizem que o nosso amor acabou, eu sei que não. Porque afinal o amor não é uma doença quando nele julgamos ver a nossa cura. A doença está em achar que termos cura. 

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